TCC com QGIS: 25 ideias prontas pra usar em 2026

Tem uma cena que se repete todo semestre. Aluno do oitavo período, prazo de TCC apertando, sentado em frente ao computador, abrindo a quinta aba do Google com a mesma pergunta: “ideias de TCC com QGIS”. As sugestões que aparecem são genéricas, ultrapassadas, ou daquelas que dependem de sobrevoo com drone caro que nenhum estudante tem. Frustrante.

Eu venho do mundo da engenharia ambiental, fiz doutorado em saneamento, oriento aluno desde 2014 e já vi mais de 10 mil pessoas passarem pelos cursos do Clube do GIS. Conheço o desespero do TCC e também sei o que dá certo. Esse post traz 25 ideias divididas por curso de origem, com dado a usar, ferramenta principal e nível de dificuldade. Tudo viável com QGIS gratuito, dataset público e máquina mediana. Você vai sair daqui com pelo menos três opções pra levar pro orientador na próxima reunião.

Como escolher a ideia certa pro seu TCC

Antes de listar, três filtros rápidos pra você não escolher um tema que vai virar pesadelo.

Primeiro, dado disponível. TCC bom é TCC com dado público acessível. Se o tema depende de levantamento de campo de seis meses ou de imagem que custa R$ 12 mil, esquece. As 25 ideias aqui usam dado gratuito.

Segundo, ferramenta dominável. QGIS resolve quase tudo, mas algumas análises pedem plugin específico ou Python. Eu sinalizei o nível de cada ideia pra você calibrar.

Terceiro, escopo enxuto. TCC não é tese de doutorado. Recorte espacial pequeno (uma microbacia, um bairro, um município) é melhor que recorte estadual ou nacional.

Por que importa pra você: TCC é treinamento, não obra-prima. Escolha um tema que você termine bem em 4 meses, não um que ficaria genial em 4 anos.

Para Engenharia Ambiental (5 ideias)

1. Análise de APP em microbacia hidrográfica. Identifica e quantifica as Áreas de Preservação Permanente (rios, nascentes, encostas) numa microbacia, comparando com o uso real da terra pra ver onde o Código Florestal está sendo descumprido. Dados: hidrografia da ANA ou IBGE, MDE da Embrapa ou Topodata, MapBiomas pra cobertura. Ferramenta: buffer, recorte, intersecção. Nível: iniciante.

2. Mapeamento de risco de inundação. Combina declividade, distância do rio, altimetria e uso do solo pra gerar um mapa de suscetibilidade a inundação numa cidade ou bacia. Pode usar análise multicritério com AHP. Dados: SRTM/Topodata, hidrografia, MapBiomas, eventos históricos da Defesa Civil. Ferramenta: SAGA, raster calculator, álgebra de mapas. Nível: intermediário.

3. Análise de cobertura vegetal histórica com MapBiomas. Avalia a perda ou ganho de vegetação nativa num recorte (município, bacia, propriedade) ao longo dos últimos 30 anos, usando a coleção mais recente do MapBiomas. Dados: MapBiomas (coleção 9 ou superior em 2026). Ferramenta: estatística zonal, tabulação cruzada. Nível: iniciante.

4. Diagnóstico ambiental de propriedade rural. Caracteriza uma fazenda ou sítio: APP, reserva legal, uso da terra, declividade, hidrografia. Resultado prático: identificação de passivo ambiental e proposta de adequação. Dados: SICAR (CAR público), MapBiomas, MDE. Ferramenta: análise vetorial, geração de relatório. Nível: iniciante.

5. Análise de áreas degradadas e priorização pra recuperação. Cruza áreas com vegetação suprimida em APP, declividade alta e proximidade de corpo d’água pra propor um ranking de áreas prioritárias pra recuperação ambiental. Dados: MapBiomas, MDE, hidrografia, SICAR. Ferramenta: álgebra de mapas, AHP, reclassificação. Nível: intermediário.

Por que importa pra eng ambiental: todos esses temas dialogam direto com Código Florestal, PRA, licenciamento e CAR. TCC vira portfólio profissional.

Para Engenharia Agronômica (4 ideias)

6. Mapeamento de produtividade de cultura. Analisa variabilidade de produtividade dentro de um talhão usando dados de colheitadeira ou índices de vegetação (NDVI) de Sentinel-2 ao longo de uma safra. Dados: Sentinel-2 via Copernicus ou Google Earth Engine, dados de colheitadeira (se a fazenda tiver). Ferramenta: SCP plugin, raster calculator, krigagem. Nível: intermediário.

7. Zoneamento agroclimático de uma região. Cruza dados de temperatura, precipitação, déficit hídrico e tipo de solo pra identificar onde determinada cultura tem maior aptidão num município ou microrregião. Dados: INMET, BDMEP, BHBrasil, mapa de solos da Embrapa. Ferramenta: interpolação, álgebra de mapas, reclassificação. Nível: intermediário.

8. Aptidão agrícola pra cultura X. Modelo de aptidão usando declividade, solo, clima e disponibilidade de água. Resultado: mapa de classes (apta, restrita, inapta) pra uma cultura específica. Dados: MDE, mapa de solos da Embrapa, dados climáticos do INMET. Ferramenta: AHP, álgebra de mapas. Nível: intermediário.

9. Análise de uso e cobertura agrícola. Identifica e quantifica diferentes culturas (soja, milho, pasto, cana) numa região, com classificação supervisionada de imagem Sentinel ou uso direto do MapBiomas Agro. Dados: Sentinel-2, MapBiomas, IBGE PAM. Ferramenta: SCP, classificação supervisionada, estatística zonal. Nível: intermediário.

Por que importa pra agronomia: agricultura de precisão e zoneamento são linhas de pesquisa fortes em programas de pós. TCC bem feito vira candidatura a mestrado.

Para Geografia (4 ideias)

10. Análise de expansão urbana. Mapeia o crescimento da mancha urbana de uma cidade ao longo de 20 ou 30 anos e relaciona com variáveis socioeconômicas (PIB, população, renda). Dados: MapBiomas, IBGE (Censo, malha de setor), imagens Landsat. Ferramenta: classificação, sobreposição, estatística zonal. Nível: intermediário.

11. Cartografia social de comunidade. Trabalho de campo com entrevista e mapeamento participativo de uma comunidade (rural, indígena, quilombola, urbana periférica). Resultado: mapa que representa a percepção do território pelos próprios moradores. Dados: levantamento próprio com GPS de celular, IBGE de base. Ferramenta: edição vetorial, atlas de impressão. Nível: iniciante.

12. Análise de fragmentação de paisagem. Mede o grau de fragmentação de remanescentes florestais usando métricas de paisagem (área, perímetro, índice de forma, conectividade) numa região. Dados: MapBiomas. Ferramenta: LecoS plugin, análise vetorial. Nível: intermediário.

13. Mapeamento de riscos socioambientais urbanos. Cruza áreas de risco geológico, vulnerabilidade social (renda, infraestrutura) e áreas de inundação pra mapear onde os impactos socioambientais se concentram. Dados: CPRM, IBGE, Defesa Civil, MDE. Ferramenta: álgebra de mapas, AHP. Nível: intermediário.

Por que importa pra geografia: análise espacial é o coração da disciplina. Esses temas casam com geografia humana, física e técnica de uma vez só.

Para Engenharia Civil (3 ideias)

14. Diagnóstico de pavimentação urbana. Mapeia o estado da malha viária de um bairro ou município (pavimentado, não pavimentado, em obra, com buraco) usando levantamento de campo e Street View, gerando indicadores de cobertura. Dados: OpenStreetMap, levantamento próprio, Street View. Ferramenta: edição vetorial, estatística por trecho. Nível: iniciante.

15. Análise de localização de equipamentos públicos. Avalia se a distribuição de escolas, postos de saúde, praças ou pontos de ônibus atende a população de forma equitativa, usando análise de proximidade e isócronas. Dados: prefeitura municipal, OSM, IBGE de setor censitário. Ferramenta: análise de rede, buffer, isócrona com plugin ORS. Nível: intermediário.

16. Estudo de viabilidade locacional de loteamento. Cruza zoneamento municipal, declividade, infraestrutura existente, distância de áreas de risco e APP pra avaliar áreas aptas a receber novo loteamento. Dados: plano diretor municipal, MDE, OSM, hidrografia. Ferramenta: álgebra de mapas, sobreposição vetorial. Nível: intermediário.

Por que importa pra eng civil: GIS aplicado a planejamento urbano e infraestrutura é diferencial competitivo enorme num mercado dominado por engenheiro que só conhece AutoCAD.

Para Biologia (3 ideias)

17. Mapeamento de habitat de espécie. Mapeia a área de ocorrência de uma espécie (vegetal ou animal) usando registros do GBIF ou SiBBr e cruza com variáveis ambientais (vegetação, altitude, clima). Dados: GBIF, SiBBr, MapBiomas, WorldClim. Ferramenta: extração por localização, análise vetorial. Nível: iniciante.

18. Análise de fragmentação florestal e conectividade. Avalia o quão conectados estão os fragmentos florestais numa região e onde corredores ecológicos seriam mais efetivos pra conectar fragmentos isolados. Dados: MapBiomas, MDE. Ferramenta: LecoS, análise de conectividade, custo de caminho. Nível: intermediário.

19. Modelagem de distribuição potencial de espécie. Usa registros de ocorrência e variáveis ambientais pra prever onde uma espécie tem condições de existir, mesmo onde ainda não foi registrada. SDM (Species Distribution Modeling) com MaxEnt ou similar. Dados: GBIF, WorldClim, MapBiomas. Ferramenta: MaxEnt, plugin SDM, raster calculator. Nível: avançado.

Por que importa pra biologia: ecologia da paisagem e biogeografia exigem SIG. Quem domina QGIS no TCC sai com vantagem real pra mestrado e atuação em conservação.

Para Arquitetura e Urbanismo (3 ideias)

20. Análise de plano diretor municipal. Confronta o zoneamento previsto no plano diretor com o uso real da terra do município, identificando áreas em desconformidade ou áreas onde a regulamentação não acompanhou o crescimento. Dados: plano diretor (lei municipal e shapefiles), MapBiomas, OSM, levantamento próprio. Ferramenta: sobreposição vetorial, tabulação cruzada. Nível: iniciante.

21. Acessibilidade de equipamentos urbanos. Mapeia a distância (caminhada ou tempo) que a população percorre pra acessar serviços essenciais (escola, saúde, lazer) e identifica áreas mal servidas. Dados: prefeitura, OSM, IBGE, plugin ORS pra isócrona. Ferramenta: análise de rede, isócrona, estatística por setor censitário. Nível: intermediário.

22. Carta de declividade pra projeto urbanístico. Gera carta hipsométrica e de declividade de um terreno ou área urbana pra subsidiar projeto de loteamento, parcelamento ou intervenção urbana. Dados: SRTM/Topodata ou levantamento topográfico próprio. Ferramenta: declividade, reclassificação, layout. Nível: iniciante.

Por que importa pra arquitetura: urbanismo brasileiro precisa cada vez mais de profissional que junte projeto e dado espacial. QGIS no TCC é diferencial.

Para Engenharia Florestal e Geologia (3 ideias)

23. Inventário florestal com sensoriamento remoto. Usa imagem de satélite e índice de vegetação pra estimar biomassa, cobertura e diversidade de fragmentos florestais, calibrando com parcelas de campo se possível. Dados: Sentinel-2, Landsat, MapBiomas. Ferramenta: SCP, raster calculator, estatística zonal. Nível: intermediário.

24. Mapa geológico regional. Compila e atualiza informação geológica de uma região a partir de bases existentes (CPRM, GeoSGB) com refinamento por interpretação de imagem ou levantamento de campo. Dados: CPRM, GeoSGB, imagem Landsat ou Sentinel. Ferramenta: edição vetorial, classificação visual. Nível: iniciante.

25. Análise de risco geológico. Cruza declividade, litologia, uso da terra e ocupação humana pra mapear áreas de risco de deslizamento ou erosão num município ou encosta urbana. Dados: CPRM, MDE, MapBiomas, IBGE de setor. Ferramenta: álgebra de mapas, AHP. Nível: intermediário.

Por que importa pra florestal e geologia: é em campo que a teoria vira impacto. Mas o pré-campo, o pós-campo e o relatório final passam todos por SIG.

Bônus: 5 datasets gratuitos que valem ouro pra TCC

Independente do tema, esses cinco repositórios são parada obrigatória.

IBGE. Malha de setor censitário, municípios, hidrografia, dados socioeconômicos. Base de praticamente todo TCC com recorte territorial brasileiro. https://geoftp.ibge.gov.br

INPE. Imagens CBERS gratuitas, dados de queimada (BDQueimadas), dados de desmatamento (PRODES, DETER). Essencial pra qualquer trabalho de monitoramento ambiental.

MapBiomas. A maior base de uso e cobertura da terra do Brasil, série histórica desde 1985. Coleção atualizada anualmente. Salva qualquer TCC ambiental.

ANA. Hidrografia, bacias hidrográficas, estações fluviométricas e pluviométricas, qualidade da água. Essencial pra qualquer trabalho com recurso hídrico.

ICMBio e MMA. Limites de unidades de conservação, áreas prioritárias pra conservação, dados de biodiversidade. Indispensável pra TCC em meio ambiente, conservação e biologia.

Por que importa pra todo mundo: começar TCC sem dado bom é começar a obra sem fundação. Esses cinco resolvem 90% dos casos.

Como dar o próximo passo

Escolheu o tema. Conversou com o orientador. Tem dado pra rodar. Falta a parte que mais trava: dominar o QGIS no nível necessário pra entregar o TCC bem feito, sem travar em cada plugin novo.

O Descomplica QGIS é o caminho mais direto que eu conheço pra isso. São 120 horas estruturadas pra te levar do zero a fazer análises do nível dessas 25 ideias com confiança. Tem aula sobre MapBiomas, Sentinel, AHP, análise vetorial, análise raster, layout profissional, praticamente tudo o que aparece nos temas listados. É o curso que mais transforma estudante perdido em estudante que apresenta TCC bem.

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E se eu quiser continuar usando QGIS depois do TCC?

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Perguntas frequentes

Posso usar essas ideias de TCC com QGIS sem ter experiência prévia em SIG?

Pode. Das 25, pelo menos 10 estão no nível iniciante e exigem só conhecimento básico de QGIS (instalação, camadas, layout). As intermediárias pedem familiaridade com plugins e álgebra de mapas, mas são plenamente viáveis com 2 a 3 meses de estudo focado.

Que dados públicos brasileiros eu posso usar de graça em TCC?

IBGE, INPE, MapBiomas, ANA, ICMBio, MMA, CPRM, Embrapa, INMET e SICAR concentram a maioria dos dados que servem pra TCC com recorte territorial brasileiro. Todos gratuitos e com licença pra uso acadêmico.

Quanto tempo leva pra fazer um TCC com QGIS do início ao fim?

Em média 4 a 6 meses, considerando definição do tema, levantamento de dados, análise no QGIS, escrita e ajustes. Dá pra fazer em menos se o recorte for enxuto e o aluno já dominar o software.

Preciso de computador potente pra rodar QGIS no TCC?

Não necessariamente. Máquina com 8 GB de RAM e processador i5 ou equivalente roda bem 90% das análises. Para imagem de satélite pesada (Sentinel, MODIS) o ideal é 16 GB. SSD ajuda muito mais que processador top.

QGIS é aceito como ferramenta válida em banca de TCC?

Totalmente. QGIS é software livre, OSGeo, com publicações científicas internacionais usando ele. Banca de qualquer curso aceita, e cada vez mais orientadores exigem. Em 2026, defender TCC com ArcGIS pirata é mais arriscado que defender com QGIS.

Importante dizer também que há uma solução para quem não tem tempo a perder e quer produzir mapas profissionais em pouquíssimo tempo

Eu montei um curso completo de QGIS que vai te levar do zero a mapas profissionais em 1 a 2 semanas, com suporte a dúvidas para te ajudar sempre que precisar: Curso completo de QGIS.

Espero ter te ajudado e aberto um novo leque de possibilidades!

Muito sucesso na jornada!

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Foto de Leonardo Marques

Leonardo Marques

Leonardo Marques é engenheiro ambiental e doutor, com atuação focada em Sistemas de Informação Geográfica (SIG/GIS), geoprocessamento, cartografia digital e sensoriamento remoto. É fundador e principal instrutor do Clube do GIS — a maior plataforma de ensino de geotecnologias do Brasil, com mais de 10.000 alunos formados em cursos de QGIS, ArcGIS, Python GIS, PostGIS, drones e análise espacial. Atua também como consultor e instrutor corporativo para empresas dos setores de agronegócio, meio ambiente, engenharia e planejamento urbano. Áreas de especialidade: QGIS avançado, análise multicritério, mapeamento aéreo com drones, Python para geoprocessamento e banco de dados espacial PostGIS.
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